Mais um capítulo da novela…Remédios contra o COVID-19

Pesquisa de Oxford vê dexametasona como grande avanço

para tratamento da Covid-19

A dexametasona, um esteroide barato e amplamente usado
A dexametasona, um esteroide barato e amplamente usado

LONDRES – A dexametasona, um esteroide barato e amplamente usado, se tornou o primeiro remédio que se provou conseguir salvar vidas de pacientes da Covid-19, o que cientistas viram como um “grande avanço” no combate à doença respiratória provocada pelo novo coronavírus.

Resultados de testes anunciados nesta terça-feira mostraram que a dexametasona, que é usada para diminuir inflamações de outras doenças, reduziu as taxas de mortalidade em cerca de um terço entre pacientes de Covid-19 hospitalizados em estado grave.

Os resultados levam a crer que o remédio deveria se tornar um recurso padrão no cuidado de pacientes com casos graves da doença imediatamente, disseram os pesquisadores que realizaram os testes.




“Este é um resultado que mostra que, se pacientes que têm Covid-19 e estão ligados a ventiladores ou no oxigênio recebem dexametasona, isso salvará vidas, e o fará a um custo notavelmente baixo”, disse Martin Landray, professor da Universidade de Oxford e colíder do teste conhecido como Recovery.

“Será muito difícil qualquer remédio substituir este, dado que, por menos de 50 libras esterlinas (cerca de 325 reais), você pode tratar oito pacientes e salvar uma vida”, disse ele a repórteres em uma entrevista virtual.

Peter Horby, pesquisador e colíder do teste, disse que a dexametasona é “o único remédio até agora que reduziu a mortalidade — e a reduz significativamente”.

“É um grande avanço”, afirmou. “A dexametasona não é cara na prateleira e pode ser usada imediatamente para salvar vidas em todo o mundo”.

Atualmente, não existem tratamentos ou vacinas aprovados contra Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, que já matou mais de 431 mil pessoas globalmente.

O teste Recovery comparou as reações de cerca de 2.100 pacientes que foram designados de forma aleatória para receber o esteroide com cerca de 4.300 pacientes que não o receberam.

Os resultados dão a entender que uma morte seria evitada com um tratamento de dexametasona entre cada oito pacientes de Covid-19 ligados a ventiladores, disse Landray, e que uma morte seria evitada em cada 25 pacientes de Covid-19 que receberam o remédio e estão dependentes de oxigênio.

NOTA DO SITE R7

A dexametasona não pode ser usada por pessoas que sejam alérgicas (ou tenham conhecimento de que alguém da família tenham tido reação semelhante) ao seu princípio ativo ou a qualquer outro medicamento da mesma classe, bem como a algum componente de sua fórmula. O medicamento deve ser usado com precaução em casos de diabetes, úlcera estomacal, osteoporose, doenças psiquiátricas, problemas no fígado ou rins, hipertensão, catarata ou glaucoma, herpes ativo, insuficiência cardíaca, tuberculose, entre outros. 

Entre os pacientes de Covid-19 que não precisavam de auxílio respiratório, não houve benefício com o tratamento de dexametasona.

Fonte: Reuters  e R7
Por: Kate Kelland e Alistair Smout
Edição: Roberto Loureiro